Não acredite em tudo que você vê.
- Jul 23
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Fake news políticas criadas com auxílio da Inteligência Artificial são indistinguíveis da realidade e vão enganar muitos eleitores
Por Vinicius Souza

Na política, a capacidade de manipular o real por meio das imagens existe desde que existe política. Para não falar de imagens de faraós e reis babilônicos, podemos citar um clássico brasileiro, o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. Pintada 66 anos após o fato por encomenda do filho de D. Pedro I, a obra mostra uma idealização do momento, com o povo trabalhador descalço vendo a Guarda Real em montarias magníficas e roupas impecáveis erguendo suas espadas junto com o imperador e sua comitiva política, que saúda com os chapéus em punho. Na realidade, D. Pedro voltava da casa da amante, a Marquesa de Santos, provavelmente montado em um burrico e, dizem, parou à margem do córrego do Ipiranga para “se aliviar” de uma emergência intestinal.
Com o advento da fotografia, a manipulação sobre fatos e a criação de informações imagéticas falsas avançou na sociedade. Afinal, diferentemente de uma pintura, sempre reconhecida como uma representação de algo que pode ou não ser verdadeiro, a fotografia, para os leigos, seria uma testemunha fria e imparcial da realidade. Nada mais equivocado. Produtores de imagens técnicas, como fotógrafos e cinegrafistas, sempre souberam da capacidade de manipulação do real para a construção de mensagens visuais que podem criar novos significados ou até refutar fatos registrados.
A manipulação política com finalidade eleitoral, com imagens distorcidas de fatos, esteve presente muito antes da invenção do termo fake news, pelo menos desde o início do século XX.
Em seu ensaio clássico A Mensagem Fotográfica, de 1961, o semiólogo francês Roland Barthes cita diversos “processos de conotação fotográfica”, quando o autor da imagem “força” o seu entendimento num determinado sentido. Entre esses processos está a fusão ou trucagem de duas fotografias criando uma terceira imagem com outro significado. Como exemplo, ele mostra a trucagem de duas fotos diferentes, uma do senador democrata estadunidense Millard Tydings e outra do líder comunista Earl Browder, reunidas em uma única imagem publicada em 300 mil exemplares de um tabloide em 1950 por iniciativa do senador republicano Joseph McCarthy. A montagem, associada à propagação do medo anticomunista, custou ao democrata a reeleição para a cadeira que ocupava há 24 anos. Essa história inclusive é contada no site oficial do Senado estadunidense.


























