Glória e Fidel - Ocupações urbanas em Uberlândia


Sob a lona preta ou entre paredes de tijolos, a mesma ameaça do despejo Ocupações urbanas de Uberlândia se preparam para enfrentar novos governos e garantir o direito à moradia Por Maria Eugênia Sá e Vinicius Souza – www.mediaquatro.com - Especial para os Jornalistas Livres No bairro Elisson Prieto (antiga Fazenda do Glória) e na área chamada Fidel Castro, ambos à beira da Rodovia BR050, mora a maior parte dos habitantes das cinco grandes ocupações urbanas de Uberlândia. São pelo menos 18 mil dos estimados 30 mil sem-teto da cidade: 2.350 famílias no Elisson e 700 famílias no Fidel. A primeira, já consolidada com ruas, lotes numerados, casas de alvenaria e comércios variados, tem cinco anos é talvez a maior do Brasil. No final do ano passado a "justiça" pediu a liberação de R$ 7.5 milhões da Universidade Federal de Uberlândia, proprietária da área, para uma desocupação na qual a PM estima que haverá confronto com 40 mortes. Uma reunião do Conselho Universitário para discutir a transferência do dinheiro não conseguiu quórum para qualquer decisão, apesar de todos os discursos girarem em torno da negação por razões humanitárias. O novo reitor eleito, que toma posse esse ano, também diz ser contrário ao despejo, mas seus antecessores tiveram os bens bloqueados pelo Ministério Público por se recusarem a fazer o pagamento que agora foi liberado pelo Governo Federal. Já a Fidel Castro, nomeada em homenagem ao líder cubano por ter sido ocupada no final de semana de sua morte, em novembro último, não há ainda casas de alvenaria. Os barracos de lona se espelham entre as árvores típicas do cerrado. O terreno fica bem próximo à antiga ocupação CEASA, despejada há alguns anos para dar lugar a um cemitério de jazigos bastante caros. Apesar da precariedade, seus moradores obtiveram nessa terça 3 de janeiro a primeira vitória jurídica. A desembargadora Mônica Líbano, do TJMG, suspendeu a liminar de reintegração de posse aceitando os argumentos do advogado da Pastoral da Terra, Igino Marcos, de que a construtora falida que supostamente seria dona da área abandonada há mais de 15 anos tem R$ 50 milhões em penhoras com a União, valor superior aos 16 hectares do terreno. Os moradores dessas e de outras grandes ocupações (Maná, Irmã Dulce, Santa Clara, Shopping Park) das 59 no município devem fazer em breve uma grande manifestação para recepcionar o novo prefeito da cidade Odelmo Leão para exigir também para eles o slogan de campanha: Uberlândia vai voltar a sorrir.

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