Imagens Bombásticas: Disputas Narrativas Midiáticas sobre Atentados e Ataques
- Sep 1, 2024
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O mundo assiste estarrecido, desde o final do ano de 2023, a um novo e mais sangrento acirramento do conflito nos territórios da Palestina histórica 1após os ataques pelo braço armado do grupo Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, a uma festa de música eletrônica e, posteriormente, a moradores de kibutzis no território ocupado pelo Estado de Israel desde 1948. Quando este texto foi fechado as estatísticas oficiais somavam quase 62 mil mortos na Faixa de Gaza (além de 14 mil desaparecidos e também provavelmente mortos), segundo o site de notícias Al Jazeera. Na Cisjordânia seriam mais 905 palestinos mortos. Os números diminuem drasticamente em Israel, totalizando pouco mais de mil mortos, segundo a mesma fonte. Esse é um dos motivos pelos quais o conflito atual tem “características de genocídio”, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), e o Tribunal Penal Internacional (TPI) expediu mandados de prisão contra o primeiro ministro de Israel, Bejamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant . É consenso entre os historiadores que a conquista de facto do território histórico pelo Estado judeu, a partir da Resolução 181 sobre a Partilha da Palestina, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1947, foi movida tanto por ações militares, como por atentados terroristas e limpeza étnica, no que os palestinos chamam de Nakba, termo em árabe para catástrofe. A ocupação militar dos territórios palestinos além do “plano de partilha” de 1947/48 segue sendo violenta no que ainda resta de Gaza e Cisjordânia. Figura 1: Ocupação gradual do histórico território da Palestina pelos israelenses entre 1920 e atualmente1Em 2024, a Corte Internacional de Justiça da ONU determinou como ilegal a ocupação por Israel em territórios palestinos.
O movimento sionista5, surgido no século XIX como reivindicação política para a criação de um estado nacional para os judeus da diáspora nas terras em volta da cidade de Jerusalém, no Monte Sião, então sob domínio do Império Britânico, ganhou força após o Holocausto nazista da Segunda Guerra Mundial, quando mais de 6 milhões de judeus foram assassinados. A partir daí o movimento conseguiu espalhar pelo mundo a narrativa de “uma terra sem povo para um povo sem terra”, criada por Israel Zangwill (1864-1926), para definir a Palestina. Acontece que havia, e ainda há, um Povo Palestino nessas terras! Como diz Salem Nasser, no prefácio da edição brasileira de A Questão da Palestina, de Edward Said, A tragédia da Palestina é territorial na medida em que uma outra pretensão -mais forte, mais estruturada e mais relevante no que se poderia chamar de jogo das nações -reclama o domínio não partilhável da terra. Mas é também uma tragédia de negação e, em certo grau, de invisibilidade: a narrativa palestina é gradualmente apagada, escondida, suplantada por outra que lhe faz concorrência e, ao mesmo tempo, a substitui por representações reducionistas e caricaturais. (Nasserin Said, 2012, p. VIII).
O sionismo é um movimento político e ideológico que surgiu defendendo o direito dos judeus a um Estado próprio, culminando na criação do Estado de Israel em 1948. Um sionista é alguém que apoia esse ideal, podendo ser judeu ou não. O antissionismo, por sua vez, é a oposição ao sionismo e pode ter diferentes motivações, desde críticas às políticas do Estado de Israel até a negação do direito de existência desse Estado. Já o antissemitismo refere-se à discriminação ou preconceito contra judeus enquanto povo ou grupo religioso. Embora antissionismo e antissemitismo possam se sobrepor em alguns discursos, não são sinônimos. Acrítica ao sionismo não implica, necessariamente, hostilidade aos judeus, tanto que há também judeus antissionistas. Veja Tudo Sobre Neste PDF:




























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